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Em 1974, através do pai de uma criança integrante do TERV, funcionário do Banco do Brasil em Santos, fui convidado a participar de uma reunião com a diretoria da Associação Atlética Banco do Brasil de Santos. Durante essa reunião fui surpreendido por uma fascinante proposta: levar o meu TERV aos filhos de funcionários do Banco do Brasil, através da AABB. Essa associação possuía um grande sobrado na Rua Bahia, em Santos, totalmente desocupado. A proposta era que ali, naquele casarão, eu fizesse a sede do TERV, oferecendo desconto nas contribuições mensais aos filhos de associados. Somente isso. Imediatamente tomei todas as providências para adequar salas do casarão para as atividades do TERV. Era a primeira e real sede do Teatro Educativo. Pela divulgação que a própria AABB promovia e os comentários que surgiam dos próprios integrantes e seus familiares, o número de alunos aumentou surpreendentemente. Chegamos a cento e poucos. Tínhamos aulas todos os dias da semana, menos aos domingos. E o TERV ganhou estrutura, sustentada pela participação de crianças a partir dos 4 anos de idade e de jovens e adultos, além de seus familiares. Criei uma comunidade em torno do TERV. E sem me dar conta, eu me tornava um líder nas áreas educacional, cultural e social. |
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Nessa época, alguns projetos foram
desenvolvidos. Realizamos filmagens experimentais em Super 8. O Rapto
da Vovó, curta com crianças de 4 a 6 anos. A Cruz
de Gravetos, curta com jovens. E O Menino que Veio do Sol,
com crianças e jovens. Com teatro, montamos Zanzalá, o Cubatão do
Futuro, |
| Infelizmente, logo no início de 1976, fui procurado pela nova diretoria da AABB. Eles tinham um projeto de derrubar o sobrado da Rua Bahia a fim de construírem uma piscina no local. E, mais uma vez, o TERV ficava sem local para sediá-lo. Não me restava outra coisa. Aluguei um sobrado na Rua Joaquim Nabuco - número 20, em Santos. Não tinha as dimensões do casarão, mas foi o suficiente para abrigar minha casa e o meu TERV. Juntamos lar e ideal. Na parte superior instalei minha casa. Na parte de baixo, o meu TERV. Com esta mudança, felizmente, não perdi nenhum aluno. Todos compareceram na nova sede e me ofereceram irrestrito apoio. Mesmo os filhos de associados da AABB e suas famílias. Continuávamos todos juntos. E isso me deu força maior para continuar construindo meus ideais. |
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Neste endereço muitos
projetos foram criados e realizados. O Projeto Infância, com
repercussão nacional. O projeto Maratona da Alegria, maior
realização, na época, em termos filantrópicos e recreativos. Cursos
e palestras sobre teatro, artes e cultura em geral. Até o Juizado de
Menores de Santos, em 1977, promoveu um curso de Teatro Educativo
entre os Comissários de Menores, pelo que agradecemos o apoio que
sempre nos deu o Dr Clineu de Melo Almada, Juiz de Menores da Comarca de
Santos na época. Alguns Comissários gostaram tanto da
experiência que passaram a integrar a turma adulta do TERV. Mas não eram só as
crianças que faziam parte na agenda do TERV. Também os idosos das
entidades chamadas de asilos. O TERV sempre esteve presente nas
festividades dessas entidades. Levávamos nosso Show da Alegria
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Mas o TERV não era somente um teatro escola. Tornara-se com o tempo numa comunidade que visava levar alegria e felicidade àqueles pequenos e idosos carentes de atenção, de afeição. Preparei os mais interessados para as funções de Monitores de Teatro Educativo, ou seja, ensinei-os a ministrar nosso método aos assistidos por entidades sociais. Criei Núcleos na Gota de Leite, na Casa de Estar, em Santos, e na Centro Comunitário da Vila São José (Vila Socó) de Cubatão. Nessas entidades, meus pequenos Monitores levavam de forma alegre e carinhosa o meu Teatro Educativo para crianças de 3 a seis, sete anos. Tudo de forma totalmente gratuita. O material que usávamos eu adquiria por minhas próprias despesas. Foi nesse mesmo endereço que idealizei e organizei a Maratona da Alegria, com a ajuda incontestável de meus alunos e de suas famílias. No dia 12 de outubro de 1977, nove entidades assistenciais e uma favela receberam a visita de meu TERV. Foi um dia inteiro de festa. Apresentávamos o Show da Alegria, as crianças recebiam brinquedos, e às entidades foram doados roupas, alimentos e material de higiene pessoal. Mais de mil crianças, nesse dia, riram e brincaram com meus queridos alunos. |
| A bem da verdade, o TERV funcionava em paralelo às minhas outras atividades. Evidentemente, eu nunca vivi do trabalho com o TERV. Entretanto, confesso que os resultados do TERV influenciaram na projeção de minha imagem em outras áreas. Cheguei a lecionar Folclore e História da Cultura na Faculdade de Turismo de Santos. Fui (e sou) convidado para proferir inúmeras palestras sobre Teatro Educativo, Teatro, Artes e Cultura em geral. Ministrei (e ministro) cursos de capacitação de professores e de pessoas que desenvolvem trabalhos junto a crianças e jovens, a título de extensão universitária e de aperfeiçoamento profissional, sob promoção da Secretaria de Educação e Cultura do Estado de São Paulo, da Promoção Social do Estado, de prefeituras, de sindicatos e de universidades. Em 1978, na cidade de São Carlos (SP), alguns amigos iniciaram um movimento para a criação do Departamento de Teatro Pedagógico na Universidade Federal de São Carlos, sob minha coordenação. A idéia foi boa, mas... |
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O TERV foi e é o meu grande laboratório de vida. Através dele aperfeiçoei o meu método de Teatro Educativo. Fiz amigos e admiradores. Cresci como ser humano e como crente em meu Mestre Maior - Jesus Cristo. O TERV é parte integrante de minha vida. Ou talvez a minha própria vida, pois nele eu e minha esposa criamos nossos filhos. E peço a Deus que proteja todos aqueles que pelo TERV passaram (passam e passarão), de forma direta e indireta. Os alunos, seus familiares, os colaboradores em geral. Que tenha em Sua companhia aqueles que já se foram. E que abençoe para sempre João Pereira dos Santos Netto - patrono do TERV, que com certeza está ao Seu lado, Senhor. Obrigado. |
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Porta Retrato |
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